domingo, 15 de julho de 2007

Ser Português é...

No dia em que saíu a entrevista ao nosso segundo laureado, José Saramago, onde o autor do Memorial do Convento e de outras obras excelentes, faz a apología de uma comunidade ibérica com centro em Madrid, mais se evidencía a necessidade de uma figura de estado que, de modo unânime , independente e identificável com a história e a nação, represente o povo Português e seja o simbolo vivo da nação. Nenhum presidente pode ser ou fazer isto tudo, numa só pessoa.

Embora a união política e económica com outros estados seja, até certo ponto, aceite hoje em dia - caso da União Europeia, - a união proposta pelo escritor exilado nas Canárias, tem uma leitura ofensiva para muitos Portugueses, que de imediato reagiram negativamente e até emotivamente, sensurando o Nobel Português.

Parece óbvio que esta questão só é suscitada, pela deríva de valores e de representação nacional, a falta de auto-estima pública, e pela frustração com o nível político nacional.
A Monarquia pode, eventualmente, ter defeitos; mas a república tem certamente muitos mais. Assima de tudo, é um regime hipócrita, com todos os defeitos apontados à Monarquia e outros mais, apenas permitindo que grupos partidários e "elites" de qualidade duvidosa sirvam os seus próprios interesses e os de terceiros.

Saramago pode ter afrontado muitos "brios" Portugueses como diz, mas ao atirar uma pedrada no vespeiro, despertou o enxame dormente para a realidade. Os Portugueses estão na situação que estão por culpa própria, por desmazelo, egoismo, tacanhez e corrupção.


Se os Portugueses realmente se sentem ofendidos com a cedência de parte da sua nacionalidade e independência, se realmente sentem brio em ser Portugueses, devem começar por o demonstrar no dia a dia, em prol do país e dos valores nacionais, contra a mesquinhez, os interesses próprios, a politiquice, e favorecer do desenvolvimento do país.

Isto vale também para alguns ditos monárquicos, que se perdem em desavenças e questúnculas espúrias, não sendo capaz de organisar e mobilizar em favor de uma causa única - Portugal.

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