segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tirando Dúvidas e Corrigindo Erros

Caso 4
"Na prática, e pegando exactamente em D. Carlos, há que lembrar a ditadura de Franco – sim, quando o Rei via a coisa mal parada decidia fechar o Parlamento"

R - "Escrevo-lhe na qualidade de simples leitor de assuntos históricos, pelo que entenderá o seguinte como quiser, de preferência consultado você mesmo fontes históricas independentes:
A sua frase que cito acima, revela desconhecimento do assunto. A "ditadura" que refere, nada tem a ver com a ditadura exercida na República, quer queiram quer não, conhecida por Estado Novo. Era uma opção que os próprios partidos da altura podiam pedir, e pediam frequentemente ao Rei, de forma a reorganizar o exercício do poder, face à instabilidade política. Durante esse curto período, eram marcadas novas eleições a que todos os partidos podiam concorrer.

O sistema não parece fazer sentido aos nossos olhos hoje em dia, e de facto revela que o modelo escolhido para a monarquia constitucional pós-liberalismo era porventura disfuncional, mas como todos as novidades, precisa de tempo para crescer e melhorar. Tempo esse que como sabemos, foi cerceado pela violência, pela destabilização, pela demagogia e pela propaganda - esta última ainda hoje dá cartas, como se vê pela sua desinformação em relação ao governo de João Franco.

Não leve a mal, afinal foi isso mesmo que a República pretendeu ao "adaptar" os factos históricos para justificar tomar o poder pela força, contra a maioria da vontade popular, um governo eleito em eleições livres e um chefe de estado legítimo. Se não fosse a minha curiosidade pela História e a facilidade que temos hoje em pesquisar pela Internet, se calhar ainda hoje repetia as mesmas falsidades que a historiografia oficial repete há 99 anos.

Se me permite um ponto de vista pessoal, um rei eleito nas cortes é tão "imposto" quanto um presidente eleito apenas por uma margem dos populares habilitados com direito de voto, que não se abstêm ou votam nos outros candidatos. Para mim, o representante e defensor da nação, da cultura e dos costumes do povo português, tem que ser isso mesmo e não um reformado da política turva ou de outra negociata qualquer; alguém nascido e criado no cargo, independente e impermeável a interesses, grupos ou lobbies.

Tem resultado nos países mais ricos, democráticos e estáveis da Europa, que tal como Portugal, tiveram monarquias na sua génese. A Itália só passou a ser uma monarquia nos Sec.XIX, assim como a Grécia a Alemanha, etc.; em França e nos E.U.A. o presidente é praticamente um monarca a prazo.
Não é por acaso que figuras conhecedoras do carácter português como Eça de Queiroz e Agostinho da Silva, defendiam a monarquia como melhor regime para Portugal. Outros, sendo republicanos, vão mudando de ideia, não sem razão...
Agora que deixem decidir os portugueses, depois de devidamente informados."

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